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Data : 08/02/2010
Syngenta aposta em pacote que poderá render US$ 4 bilhões

A Syngenta, maior companhia de agroquímicos do mundo, verá expirar neste ano a patente de um produto que representa quase 10% de suas vendas globais. O "blockbuster" em questão é o fungicida Amistar, que contém o princípio ativo Azoxystrobin, é muito usado em lavouras de soja no Brasil e rende cerca de US$ 1 bilhão por ano - e que agora poderá ser copiado como genérico.Mike Mack, CEO da multinacional suíça, não aparenta preocupação. E acena com um "pipeline" de novos produtos com potencial de vendas estimado em US$ 4 bilhoes nos próximos anos. "Apostamos na nossa capacidade de inovação num ambiente mais competitivo". O executivo enfatiza a gestão do "ciclo de vida" dos produtos, que uma vez sem patente passam a ser comercializados como genéricos pela própria empresa. Um diretor calcula que 50% das vendas de Syngenta já estão nessa categoria. Cinco produtos que perderam a patente entre 33 e cinco anos atrás geraram vendas de US$ 1 bilhão em 2009. Mesmo com concorrência, um deles bateu recorde de vendas e seu potencial de crescimento é estimado em 14% até 2015.Para a Syngenta, o impacto da expiração de uma patente no segmento agroquímico é diferente do que ocorre na indústria farmacêutica, onde as companhias de genéricos passam a fabricar rapidamente a cópia mais barata e abocanham logo fatias do mercado. Patrick Rafaisz, analista do banco Vontobel, em Zurique, acredita que esta diferenciação é verdadeira só em parte, e que em muitos casos é fácil copiar produtos básicos. Mas reconhece que a Syngenta não tem com o que se preocupar com o rendimento de seu "blockbuster"."O Azoxystrobin perde a patente em 2010 na América Latina, até 2012 na União Europeia e em 2014 nos EUA, mas Syngenta já baixou tanto o preço que fica difícil os genéricos entrarem na competição", afirma Rafaisz.A divisão de Proteção de Culturas da Syngenta tem no "pipeline" cinco herbicidas, fungicidas e inseticidas para lançar entre 2010 e 2012, com potencial de vendas de US$ 1,5 bilhão no pico. Outro fungicida poderá render US$ 500 milhões por ano após 2012. Na divisão de Sementes, a aposta em cinco produtos é para render US$ 2 bilhões até 2015.Na sexta-feira, a companhia apresentou seus resultados em 2009, que pareceram menos ruins do que se podia esperar em um período de crise. O faturamento global, de US$ 10,9 bilhões, caiu 5% em relação ao ano anterior. O lucro liquido caiu 1%, para US$ 1,37 bilhão, afetado pelo maior custo de matérias-primas, menor demanda por pesticidas e problemas cambiais.Para contornar o revés, Mike Mack quer colocar o pé no acelerador nos mercados emergentes, que já representam 40% das vendas mundiais da empresa. "A melhora dos emergentes nos leva a prever aumento das vendas a partir do segundo trimestre". No topo da lista está o Brasil, segundo maior mercado da Syngenta - atrás dos EUA -, responsável por 15% a 20% do faturamento."Queremos ser no Brasil mais fortes em 2010 do que fomos em 2009, e vamos investir significativamente", disse o executivo ao Valor. "O primeiro semestre [de 2009] não foi muito bom no Brasil. Mas a crise passou, o governo dá assistencia financeira aos agricultores e temos projeto revolucionário para o plantio de cana".O carro-chefe da multinacional europeia no país este ano deverá ser o lançamento comercial de uma nova tecnologia para o plantio de cana-de-açúcar. Robert Berendes, diretor de desenvolvimento de negócios da Syngenta, afirma que o investimento no projeto será da ordem de US$ 20 milhoes em 2010, incluindo fábrica e pesquisa. O projeto tem a participação da americana John Deere, que terá máquinas mais eficientes para plantio e colheita da cana.O replantio, atualmente realizado a cada sete anos, poderá agora ocorrer a cada três e assim preservar um nível elevado de rendimento, promete o executivo. Ele calcula que os produtores de cana vão economizar 25% em relação ao método atual de produção. A empresa espera faturar algumas dezenas de milhões de dólares já este ano, até alcançar US$ 300 milhões no país dentro de um prazo de cinco a seis anos.A Syngenta também quer faturar US$ 100 milhões por ano com a venda de um fungicida para milho. Outro ramo que Mike Mack quer desenvolver é de defensivos e sementes para hortaliças. Globalmente, esse mercado é estimado em US$ 3,7 bilhões. As vendas da empresa alcançaram US$ 594 milhoes no ano passado, com crescimento de 18% na América Latina.Segmento igualmente considerado promissor é o de proteção de gramados e jardins, que têm um mercado global de cerca de US$ 15 bilhões por ano.

Basf e Embrapa engrossam disputa em sementes de soja resistentes a herbicida

A hegemonia da americana Monsanto no mercado de soja transgênica resistente a herbicidas no país está próxima do fim. A partir da safra 2011/12, a alemã Basf e a brasileira Embrapa entrarão juntas na briga por este mercado, com a intensão de abocanhar de 15% a 20% da área total cultivada com soja geneticamente modificada.Hoje, dos pouco mais de 23 milhões de hectares plantados com soja no Brasil, 15 milhões são de variedades transgênicas. Dessa área, 100% é semeada com a tecnologia "Roundup Read", patenteada pela multinacional americana e a única até agora liberada comercialmente para ser utilizada."Esse é o primeiro produto geneticamente modificado da Basf liberado comercialmente no mundo e foi integralmente desenvolvido no Brasil, em parceria com a Embrapa. É um sistema alternativo aos encontrados atualmente", diz Walter Dissinger, vice-presidente da divisão de Proteção de Cultivos para América Latina da Basf.A companhia ainda não definiu a política de cobrança dos royalties. De qualquer forma, os recursos recolhidos a partir do uso da tecnologia serão divididos meio a meio entre Embrapa e Basf. "Foi uma parceria de sucesso e estamos discutindo outras, inclusive com a Basf", afirma Pedro Arraes, diretor-presidente da estatal brasileira.Apesar do foco no mercado brasileiro, tudo indica que a nova soja, que leva a tecnologia "Cultivance", será encontrada nos demais países da América do Sul. Segundo Dissinger, a empresa já está negociando contratos com produtores de sementes argentinos e pretende chamar os agricultores do país para avaliar a melhor forma de cobrança de royalties. Tudo para evitar os mesmo conflitos enfrentados pela concorrente Monsanto.Demorou dez anos entre o desenvolvimento da nova tecnologia e a liberação comercial no Brasil, concedida pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) em dezembro de 2009. Nesse período, os investimentos foram de US$ 20 milhões. Na parceria entre as duas empresas, a Basf ficou responsável pelo isolamento do gene e desenvolvimento da tecnologia, enquanto a Embrapa a inseriu nas variedades de sementes soja, realizou os testes de campo e gerou mais de duas mil plantas até chegar à "planta-mãe".Enquanto a Embrapa se encarrega de multiplicar as sementes para entrar no mercado na safra 2011/12, a Basf segue os trâmites jurídicos para que os principais importadores de soja do Brasil reconheçam a tecnologia. Na China, por exemplo, o processo de regulamentação exigem estudos de campo em solos chineses. "Estamos trabalhando com os importadores para complementar a regulamentação. Esperamos concluir esse processo ainda em 2010", afirma Luiz Louzano, gerente de biotecnologia da Basf.

Fonte: Valor Econômico

 
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